Entrevista: Ana Paula Gomes e sua visão sobre a moda

AnaPaulaGomesfototratada
Ana Paula Gomes (Instagram: @xxv.xvii)

MaVi: Olá Ana, tudo bem? Super bacana te ver por aqui! Antes de começarmos a entrevista, se apresente para minhas leitoras.

Ana: Oi pessoal, suave? Meu nome é Ana Paula, tenho 18 anos e tenho o tamanho de um anão de jardim, 1,54. Moro em Pilar do Sul, interior de São Paulo (mais conhecido como meio do mato) e faço faculdade de Moda (não é o paraíso que vocês acham – só para avisar!). Sou uma pessoa bem caseira e tenho vários costumes de vó (Vejo isso como qualidades heheh)… adoro costurar, bordar, desenhar etc.

Fui para área de moda pela costura e pelo desenho, e me surpreendi em ver que tinha muito mais coisas do que isso. Sou uma pessoa séria, mas também adoro zuar (Controverso? Talvez! Mas é bem isso mesmo!) e tenho mente muito aberta; adoro ler – outro dos meus passatempos favoritos junto com os dois anteriores – e mesmo não sabendo fazer direito, gosto de escrever de vez em quando (textos que depois eu leio e fico “Nossa que bosta!”), mas o que vale é a intenção!

Na real, tenho um pavio um tanto curto e não levo desaforo tão fácil, tenho os momentos de extremos como todo mundo. Sou um tanto ativista – em certo ponto – e tento fazer o que acho correto. Ah, e amo hip hop, como um todo: dança, grafite, musica, estilo. Adoro mesmo!

Bom, não sou muito interessante, mas gosto muito de ouvir e conversar. Espero que gostem da entrevista e obrigada Mari pelo convite. Igual sempre falo: Só vamo! HEHEHE 🙂

obs: Acho que outro fato que podemos salientar aqui é que eu falo muita gíria! Vou me controlar para maior entendimento de todos, porque já me disseram que falo tipo traficante KKKKKKK

 

MaVi: Vamos começar com as perguntas voltadas ao estilo. Ana, só para nos conectarmos mais a você, nos conte, qual é o seu estilo? O que te levou a inclinar para esse lado?

Ana: Sinceramente, eu sempre me considerei sem estilo, por questões financeiras e complexos com corpo. Sempre optei por roupas normais e mais largas, principalmente camisetas, e até tempos atrás, eu falava que “meu estilo era usar coisas mais largas”. Mas, a gente sabe que não é, né?! Depois de muita desconstrução social (merda de sociedade!), agora estou melhorando. Estou levando mais na boa as diferenças que temos, e começando a achar dahora isso! Enfim, sem me prolongar, eu digo que gosto de coisa “swagg”. Ainda gosto de roupas largas, mas tem que ter um jeito de rua, transparência, etc. Acho que o que me leva mais a esse estilo é meu gosto musical pelo Hip hop em seu completo, adoro as cores do grafite, o protesto das letras, os movimentos da dança, tudo leva a um vestuário mais “swagg”, um despojado, usar o que você gosta.

 

MaVi: Ana, você costuma usar maquiagem no seu dia a dia? Se sua resposta for sim, qual e por que você gosta dela? Se sua reposta for não, o que te levou a optar pela cara limpa?

Ana: Não, não costumo usar e sou uma negação para isso! HEUHEUE. O motivo de eu optar por isso, meio que é uma mistura de várias coisas, primeiro (acho que é a de todo mundo que compartilha da minha opinião também) é a não praticidade – corre para faculdade, assa no calor esperando o ônibus, volta, corre almoçar, tem que ir pagar conta, etc – temos uma vida de corre, vai suar, além do tempo gastando passando a maquiagem. Nunca pensei em ativismo porque, apesar de tudo, eu gosto de maquiagem, acho muito bonito quem sabe fazer e acho que ela deve ser usada porque a pessoa gosta.

O problema se inicia quando começa a vir um padrão em cima (por isso repito: merda de sociedade!). Então, eu vejo a maquiagem como um artificio legal, e até divertido (por que não?) para sair, um momento mais especial e até mesmo pra quando você ficar com umas puta olheiras tipo eu – porque tenho umas insônia louca . Agora temos que ter em mente, por exemplo, que maquiagem não pode ser o atributo que te dará o emprego que você quer, é o que você oferece como profissional que te contrata – logico que tem os idiotas que pensa o contrário, pau no cu deles! – É tipo você querer ir pra guerra e não se sujar. A batalha pra conseguir o que quer é sua e se a imagem é algo que te priva de muita coisa, acho melhor rever isso! Já foi falado, imagem impressiona nos primeiros 15 minutos e depois?

Concluindo, pois dei uma leve brisada, eu apenas uso em momentos mais especiais (como quando uso minhas fantasias), do contrário, fico com a cara limpa mesmo com toda as imperfeições heheh

 

MaVi: Fazer aniversário é uma tortura para algumas pessoas, pois isso representa envelhecer a cada ano. Você tem medo de envelhecer? Por que?

Ana: Nunca tive! Na real, eu sou bem de boa com essa ideia, não sou paranoica com morte ou idade, acho que é tudo relativo. Além disso, para mim idade é sabedoria; meus avós são de extrema importância na minha vida e coisas como: ser uma pessoa decente, como é sofrido trabalhar, o valor que você dá para as coisas, foi com eles que aprendi. Tenho um puta respeito por eles, tudo que meu vô fala eu guardo como lição, pois ele sofreu muito mais que eu. Hoje ele tem como me ajudar, mas antes ninguém o ajudou. Vivencia é sabedoria e é a coisa que mais respeito nos exemplos de terceira idade que tenho. Eu devo muito a eles e não vou poder pagar, mas o meu sucesso já é um presente por quem torce tanto por mim. O que quis passar com tudo isso é: abrace a experiência que você não tem. Idade, como tudo, é relativo com a pessoa que tem ela. É só um número. Você que tem que saber o que fazer com ela.

 

MaVi: Ler revistas, visitar blogs e sites, ver entrevistas, observar com atenção os looks das famosas, você acha que isso é o suficiente para uma pessoa se tornar um profissional em moda?

Ana: Tanto quanto eu posso virar médica porque li um mapa de anatomia humana. Pessoal, na moral, por favor, parem de achar que moda é fácil, porque a gente que cursa toma no **. Nós, estudantes de moda, estudamos detalhes e até soluções, que por causa dessa cultura de moda fútil que se criou, ninguém pensa. Tudo na vida tem que estudar, não tem escapatória, até ladrão tem que estudar o que vai fazer, não tá fácil pra ninguém – zoas. Se você acompanha a moda e tals, você pode até ter uma ideia das coisas, mas não pode pegar e se basear só nos produtos finais. Então pra resumir: nenhum profissional se forma sem estudo, não tem jeito mais fácil e se moda fosse tão superficial quanto a geral acha, você ainda ia tá pelado numa caverna.

 

MaVi: Você acredita na conexão entre arte e moda?

Ana: Total né?! Também acho relativa essa ligação, se chamamos de “obra-prima” um prato muito saboroso, o que impede a moda de ser uma arte, não é mesmo? Arte é uma maneira de expressão que tem várias vertentes, “a arte copia a moda, que copia a arte” HEHEHE – estudem pessoal – e acho que essa ligação é tão forte, por se tratar de transmitir o humano. A arte passa o que o artista sente, a moda da mesma maneira traduz os comportamentos de massa ou de classes altas em roupas e acessórios. Moda é tão ligada ao ser humano que hoje em dia, nos imaginar sem ela, fica um pouco estranho, não?

 

MaVi: O mundo da moda, é um lugar repleto de falhas, onde alguns estão lutando para mudar, e outros continuam não se importando. Puxando rapidamente na memória, você se lembra de alguma falha da moda? Teria alguma sugestão para mudar?

Ana: Vish, um monte! Desde questões ambientais (descarte errado de efluentes, desmatamento, etc), passando por mão de obra análoga à escravidão e chegando à pressão nas nossas cabeças falando para fazer isso ou aquilo para se tornar bonita (Malditos padrões!!! Ninguém se encaixa nessa merda!). E ainda tem os preconceitos por baixo dos panos (as vezes é por cima mesmo, bem escancarado, mas as pessoas fingem que não vêem) que sempre ocorre.

Bom, mudar é extremamente complexo, mas acho que temos que ter em mente coisas simples que ignoramos: primeiro de tudo, valorização da mão de obra. Roupa nunca foi barata, então se torna ridículo acharmos – me incluo aqui – caro uma camiseta de 30 conto, porque tem a matéria-prima, tecido, quem costura, e mais mil pessoas trabalhando. É um absurdo a camiseta ser só 30 reais. As questões ambientais estão bem em mídia esses tempos, a gente sabe, mas agora é entender o que significa de verdade essa luta. E por último, mas não menos importante: e esse padrão de merda, hein? Ele é tão complexo que entra desde racismo à distúrbios alimentares que causam mais morte no Brasil que câncer de mama – que coisa não? – ele é longo e extenso, tem contexto histórico o caralho, mas vamos tentar ser mais direta: por que censurar a coisa mais legal da genética, que é a diversidade? O padrão é idiota, porque muita coisa implica na aparência. Dizer que um padrão é bonito para mim é birra. O foda são eles colocarem tanto glitter em cima que não enxergam mais a pilha de cadáveres em baixo.

 

MaVi: Eu sou a prova viva de que você é um arraso em desenho. Nos conte, rapidamente, como foi que você começou a desenhar? Mostre uns desenhos seus para a gente ^^

Ana: Ahhhh obrigada pelo elogio. Bom, a história mais antiga que tenho sobre desenho foi que com 2 anos eu desenhei uma vaca impressionante KKKKKKK. Mas sendo bem na lata: primeiro que você tem que gostar porque gasta tempo e paciência – quem nunca imaginou uma obra de arte e saiu um demônio? – e treino. Dom para mim não existe, parem de jogar a culpa em Deus ou sei lá, gente, é você treinar e gostar do que faz. Igual falei sobre o assunto de idade, o tempo é um ótimo professor.

Hm… Sou meio enrustida de mostrar as coisas para os outros, mas só vamo né kkkkkkk

croqui ana - masculino
Desenho inspirado no deus egípcio RÁ. Este foi apelidado carinhosamente como “Rá da tesão” KKKKKKKKKKKKKK porque falo que vou casar com ele.
croqui ana - feminino
Sim, adoro desenhar gente negra porquê acho L I N D O. Ela é inspirada na deusa egípcia, Isis, magia e amor.
Para ver mais trabalhos como esses, visitem o Instagram: @xxv.xvii

 

MaVi: Desenhos, ilustrações de moda. Qual(is) dica(s) você daria para quem está começando a desenhar?

Ana: Primeiro, tenha paciência e saiba que você vai errar (isso faz parte do aprendizado). E continue, treine, se esforce, sabia ouvir críticas construtivas e melhorar com os erros; é normal ficar bolada se não sair direito, mas não pare por causa disso. Igual sempre falo: Só vai! Algumas horas pensar muito atrapalha EHEHE

 

MaVi: Fugindo um pouco de assunto ^^

  • A melhor banda de todos os tempos: Gente, eu não sei KKKKK Vô coloca uns rapper br que ouço (isso é uma lista, foi mal): Além da Loucura; As trica; Bk; Baco Exu do Blues; Chris; Choice; Coruja BC1; Djonga; Drik Barbosa; Diomedes  Chinaski; DNASTY; Lívia Cruz; Funkero; Inquérito; Joker; Kayuá; KK; Marechal; Mc Igu; Mc Sid; MV Bill; Oriente; Port Ilegal; Primeiramente; Rashid; Racionais Mc’s; Ricon Sapiência; Sabotage; Sant; Sobs; Tafari; Victor Xamã. A cena atual está muito boa pessoal, conheçam pra vocês verem.
  • Uma frase épica: “Quando um não quer, dois não briga” por meu avô EHEHE
  • Um lugar para ir antes dos 30: São Paulo KKKKKKKK Sou muito caipira, credo!
  • Uma mania engraçada: não sei se isso conta, mas muitas vezes comento coisas que nem julgo engraçadas e as pessoas dão muita risada kkkkk deve ser meu jeito de falar
  • Uma coisa que você tem que fazer antes de morrer: Caramba, nunca pensei nisso. Sério mesmo. Por mais sem graça que seja, nada me veio à mente – eita kkkkk – acho que apenas viver.

 

MaVi: Ana, muito obrigada por aceitar meu convite. Foi muito bom poder contar com você! Agora, para encerrar, deixe uma mensagem *-* 

Ana: Obrigada Mari pelo convite, gostei muito de participar – até me controlei para não sair “mano” a cada duas palavras HEHEHE – e espero que tenha ajudado em algo ou pelo menos tenha sido divertido.

Eu sou muito ruim com essas coisas então: ouçam rap, tenham força de vontade, comam alimentos naturais, leiam livros, dancem porque é legal, se esforcem, tenham senso crítico e “FOGO NOS RACISTA! ” – by Djonga.

É nois! ;P

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8 comentários em “Entrevista: Ana Paula Gomes e sua visão sobre a moda

  1. Olá querida.
    Achei muito adorável sua entrevista com a Ana ela é muito fofa, soube mostrar o ponto de vista do estilo ao qual ela se prende. Com muita convicção do que esta se falando. A favor da originalidade de cada um. A moda é algo arrebatador na minha opinião, porém muitas vezes usadas de uma maneira errada. Ela deve ser um complemento do nosso estilo e não ao contrário, muitas pessoas se adequadam a ela simplesmente para ficar por dentro dos padrões de moda. Quando na verdade devemos atribuir aquilo que nos faz bem e nos torna única. O profissional de moda tem toda essa informação que nos auxilia, dou muito valor a esse trabalho.

    Beijinhos

  2. Adorei a entrevista!!! Tenho uma amiga que faz moda mas nunca parei pra conversar real com ela sobre isso e sobre a influência que a moda tem na vida dela. Vou até conversar com ela dps pra saber ❤

    Muito sucesso pra vocês duas ❤

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